8 doenças que podem causar dor em baixo ventre em mulheres

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8 doenças que podem causar dor em baixo ventre em mulheres
17 de julho de 2020 Núbia Pereira Pinto
8 doenças que podem causar dor em baixo ventre em mulheres

A dor em baixo ventre, ou “dor no pé da barriga”  é  uma queixa comum em mulheres,  e pode ter várias causas, desde processos normais da ovulação,  até doenças mais graves. 

Para diagnosticá-la, é importante avaliar a sua intensidade, se a dor tem relação com o ciclo menstrual, se é contínua ou intermitente, e se existem outros sintomas associados.

Acompanhe o artigos para conhecer as causas mais comuns deste tipo de dor que atinge algumas mulheres.

 

Possíveis causas da dor em baixo ventre em mulheres

 

1) Cisto Hemorrágico de Ovário

O cisto é uma esfera preenchida por líquido. O Cisto Hemorrágico de Ovário, ou Cisto de Corpo Lúteo Hemorrágico, por sua vez, é um cisto que contém sangue em seu interior.  É completamente benigno e comum após a ovulação,  quando um pequeno vaso da parede do ovário se rompe e enche a cavidade de sangue.

Geralmente os cistos hemorrágicos são menores que 6.0cm , e desaparecem espontaneamente em torno de 2 meses. Ocorre na idade reprodutiva da mulher, e a paciente costuma sentir dor do lado direito ou esquerdo da pelve, quando está se aproximando do período menstrual.

Às vezes esta dor tem intensidade moderada, e quando ocorre do direito, pode ser confundida com apendicite.

 

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2) Cisto de Ovário Torcido 

Os cistos maiores que 6.0cm, e os teratomas  volumosos, que são tumores benignos contendo gordura , calcificações e cabelos,  podem girar sobre seus ligamentos e pedículo vascular, causando a torção ovariana. 

Pode ocorrer a torção somente do ovário,  ou também da trompa uterina.

Outra causa de torção ovariana é a indução da ovulação, para pacientes inférteis,  o que faz com que os ovários fiquem volumosos e mais pesados.

Com a torção ovariana,  o fluxo sanguíneo é interrompido,  causando a isquemia e até necrose do órgão. 

O principal sintoma da Torção Ovariana é uma dor intensa e repentina do lado afetado em mulheres na idade reprodutiva , podendo estar associada a náuseas e vômitos.  

O  diagnóstico é feito através o exame clínico e da Ultrassonografia Transvaginal, que demonstra o ovário aumentado,  ou uma massa sólido cística na região do ovário,  e líquido na pelve. 

A avaliação com Dopplerfluxometria pode evidenciar ausência de fluxo sanguíneo no ovário afetado. 

O tratamento é cirúrgico,  sendo a laparoscopia o método de escolha.

 

3) Abscesso Tubo Ovariano

O abscesso tubo ovariano é uma coleção de pus, que se forma na trompa e ovário,  devido a uma infecção bacteriana,  que através da vagina, atinge o útero, endométrio (camada interna que reveste o útero) , trompa e ovário.

Esta infecção geralmente é causada por bactérias sexualmente transmissíveis,  como a Chlamidia , em 60% dos casos, a Gardnerella e o Gonococo.

Com a evolução do processo, pode ocorrer a infecção do peritônio,  que é a membrana que reveste o abdome internamente, acumulando líquido purulento na pelve, e formando aderências,  que podem causar infertilidade.

Os sintomas mais comuns são: dor pélvica,  dor na relação sexual,  dor e dificuldade para urinar , corrimento vaginal e febre. 

O  diagnóstico é feito pelo exame ginecológico, exames de sangue que podem evidenciar processo infeccioso, provas de biologia molecular para identificar o agente causador da infecção, e Ecografia Transvaginal, que vai demonstrar uma massa sólido cística na região do ovário e trompas, dilatação da trompa, e líquido na cavidade pélvica.

O tratamento pode ser realizado com antibióticos e cirurgia. 

Algumas complicações tardias como infertilidade e gravidez ectópica podem ocorrer.

 

4) Gravidez ectópica (tubária)

A gravidez ectópica é aquela em que o feto se desenvolve fora do útero , mais comumente na trompa uterina. Ela pode ocorrer também no colo uterino, na cicatriz de uma cesárea prévia, e até no abdome.

Quando a gravidez ocorre na trompa (tuba uterina) , ela pode não causar sintomas, até que ocorra a ruptura da tuba, com sangramento para o interior da pelve. 

Neste caso, a paciente geralmente relata ausência da menstruação, uma dor intensa do lado acometido, sangramento vaginal moderado ou intenso, dor no ombro devido à irritação do diafragma causada pelo sangue, e  tonturas. Pode ocorrer desmaio, e até choque,  devido à perda aguda de  sangue.

O diagnóstico é realizado pelo exame clínico, dosagem de beta HCG quantitativo, e ecografia transvaginal,  que demonstra uma massa na região da trompa, ausência de saco gestacional no útero,  e líquido na pelve. Algumas vezes, pode-se visualizar o embrião na região da trompa.

A dosagem de beta HCG no sangue acima de 1000U/L, na ausência de gravidez no útero, indica uma provável gestação ectópica.

O tratamento pode ser realizado com medicamento (metotrexato),  no caso da gravidez ectópica íntegra de pequeno volume,  ou cirurgia,  quando não há  a regressão  da gravidez com medicamentos,  ou a ruptura da trompa ocorre;  o que é um quadro de emergência.

As causas da gravidez ectópica mais comuns são: doença inflamatória pélvica, (infecções de útero, trompas e ovários), gravidez ectópica anterior, endometriose,  e cirurgias pélvicas anteriores.

 

5) Endometriose

A Endometriose é o crescimento do tecido que reveste o útero internamente, o endométrio,  em locais fora do útero,  como ovários, ligamentos, reto, intestinos, bexiga e vagina. Este tecido causa pequenos sangramentos nestes locais na época da menstruação,  e ocasiona um processo inflamatório intenso, o que costuma causar muita dor.

As pacientes com Endometriose podem relatar cólicas menstruais intensas,  que vem piorando com o tempo,  dor em baixo ventre, sangramento menstrual abundante, com coágulos,  dor durante as relações sexuais, dor ao urinar, sangramento nas fezes e urina durante o período menstrual.

É importante a relação da piora dos sintomas com o período menstrual para se fazer o diagnóstico diferencial com outras doenças. 

O diagnóstico é feito com a Ecografia Transvaginal para Mapeamento da Endometriose, que demonstra os focos endometrióticos, sendo superior à Ressonância Magnética na detecção de endometriose intestinal. 

Já a Ressonância demonstra melhor os focos no assoalho pélvico.

O tratamento depende da localização e extensão das lesões,  podendo ser realizado com medicamentos, como anticoncepcionais contínuos, e outros que causam bloqueio hormonal,  e o tratamento cirúrgico, com  a laparoscopia para remoção dos focos de endometriose e retirada de aderências.

 

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6) Apendicite

A inflamação do apêndice,  uma pequena estrutura tubular do lado direito da pelve, junto ao intestino grosso,  é chamada apendicite, e pode ser causada pela presença de um fragmento das fezes em seu interior,  ou por infecções por bactérias e vírus.  Com isto, o apêndice vai se enchendo de pus, e pode até se romper,  causando um quadro mais grave,  com formação de coleções de pus no interior do abdome.

A apendicite pode se iniciar com uma dor próxima ao umbigo, náuseas e vômitos,  e deslocamento da dor para a porção inferior direita do abdome. Febre, mal estar, calafrios e perda do apetite também podem estar presentes.

A apendicite pode ocorrer em qualquer idade, entretanto é mais comum dos 10 aos 30 anos.

O diagnóstico é feito através do exame clínico,  em que o médico detecta sinais de irritação peritoneal, dos exames de sangue, e da Ultrassonografia de abdome total ou Tomografia Computadorizada. 

É muito importante o diagnóstico precoce para se evitar complicações como a saída de material fecal para o abdome, causando um processo infeccioso intenso, com a inflamação da membrana que reveste o interior do  abdome (peritonite), formação de coleções de pus,  e podendo levar à septicemia (infecção generalizada).

O tratamento é cirúrgico,  podendo ser realizado por via laparoscopia.

 

7) Cálculos ureterais

 Os cálculos ureterais são pequenas pedras de cálcio ou ácido úrico,  que estavam localizadas no rim e se deslocaram para o ureter,  um tubo muscular,  que une os rins à bexiga.

Durante este processo de migração,  os  cálculos podem causar obstrução do fluxo urinário, e a inflamação da parede do ureter,  causando uma dor lombar intensa, que pode se irradiar para a pelve, e região da vulva. A paciente com cálculo no ureter pode apresentar ainda: náuseas,  vômitos,  ardência e dor ao urinar.

Aproximadamente 70% dos cálculos menores que 0.5 cm podem ser eliminados espontaneamente. Para cálculos no ureter distal, ou seja, próximos à bexiga e maiores que 1.0cm, está indicada a ureteroscopia, onde se insere um pequeno tubo pela uretra, que alcança a bexiga e progride para o ureter distal, capturando o cálculo.

Os exames indicados para o diagnóstico são: Radiografia Simples, Ultrassonografia de Rins e Vias Urinárias e, se necessário, a tomografia computadorizada.

 

8) Diverticulite 

A diverticulite é a inflamação de pequenas bolsas que se formam na parede do intestino grosso, principalmente em pacientes da meia idade e idosos.

Pequenas quantidades de fezes podem ficar retidas nos divertículos, favorecendo o crescimento de bactérias que causam a infecção. A maioria dos divertículos se localiza do lado esquerdo do abdome,  no cólon descendente e sigmoide.

As dietas pobres em fibras, que ocasionam a prisão de ventre, contribuem para a formação de divertículos. Os principais sintomas da diverticulite são: dor abdominal, geralmente à esquerda, diarreia ou prisão de ventre, náuseas e vômitos, e febre.

O diagnóstico pode ser feito através do exame clínico, da Ultrassonografia de abdome total, e tomografia computadorizada. 

Se o processo infeccioso estiver localizado, o tratamento indicado é medicamentoso.

Podem ocorrer complicações como a formação de coleções de pus, perfuração, formações de comunicações entre o intestino grosso e outros órgãos, chamadas fístulas, ou obstrução do intestino grosso e, neste  caso, o tratamento é cirúrgico.

 

Como buscar auxílio médico?

Neste artigo, listamos algumas das principais causas de dor em baixo ventre. Para um diagnóstico preciso, com o devido tratamento, consulte um ginecologista e siga com a realização de exames específicos.

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