Cardiopatia congênita: o que é e como detectar?

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Cardiopatia congênita: o que é e como detectar?
5 de junho de 2020 Núbia Pereira Pinto
Cardiopatia congênita

Cardiopatia congênita é o nome dado a todas as possíveis deformidades que possam ocorrer na estrutura do coração ainda nos períodos iniciais de formação do feto no útero. As cardiopatias congênitas são o tipo de malformação fetal mais comum.

Pesquisas indicam que cerca de 1 a cada 100 crianças nascem com algum tipo de cardiopatia congênita e cerca de 80% delas necessitarão de algum procedimento cirúrgico em algum momento da vida. 

Apesar do tratamento da grande maioria dos casos ser realizado após o nascimento,  é importante que o diagnóstico seja feito ainda no pré natal,  para programar o nascimento para um centro que esteja preparado para os cuidados adequados  iniciais ao bebê após o parto; e tenha instalações para cirurgias cardíacas.

Tipos de Cardiopatia 

A presença ou não da cianose sintoma que se caracteriza pela coloração azul-arroxeada na pele, mucosa ou unhas, e está associado à baixa oxigenação no sangue, pode dividir as cardiopatias em dois grupos: cardiopatias cianóticas e cardiopatias acianóticas. 

Cardiopatias acianóticas

Consideradas as mais frequentes, as cardiopatias acianóticas não vão apresentar a cianose como um sintoma, mas apresentam outros indícios tais como casos de pneumonia recorrente e cansaço fácil. 

Aqui as malformações geralmente podem ser na comunicação entre os átrios (CIA), na persistência do canal arterial (PCA), na comunicação entre os ventrículos (CIV) ou coarctação da aorta (CoAo) que nesse caso também apresentará hipertensão arterial como um indício. 

Cardiopatias cianóticas

Vão ser caracterizadas especialmente pela presença da coloração azul-arroxeada na pele, mucosas ou unhas. Nas cardiopatias cianóticas, é comum que aconteça uma mistura de sangue entre sangue rico em oxigênio e sangue rico em gás carbônico, bem como alterações nos fluxos sanguíneos, ocasionando assim essa carência em oxigênio na corrente sanguínea que resultará na cianose. 

Dentre esses casos de cardiopatia, encontram-se: a tetralogia de Fallot (uma das ocorrências mais comuns, caracterizada principalmente por um acentuado defeito no septo ventricular), atresia tricúspide (caracterizada ausência de comunicação entre o átrio e o ventrículo direito), transposição das grandes artérias (caracterizada pela “troca” de lado das artérias principais do coração), anomalia de Ebstein (deformidade na válvula tricúspide) e DSAV (Defeitos do septo atrioventricular). 

As cardiopatias cianóticas apresentam uma grande incidência de casos mais simples, sem muitas complicações. Todavia, em casos mais graves, pode ser imperativo que se faça um transplante de coração. 

Diagnóstico de cardiopatia congênita durante a vida

A cardiopatia congênita pode ser detectada a partir dos seus sintomas, como arritmias, dificuldade para ganhar peso, falta de ar, cianose, dores no peito, sopro cardíaco e cansaço. 

Em bebês, caso não tenham sido feitos os exames de rotina durante a gravidez ou após o nascimento da criança, a cardiopatia poderá ser notada a partir da identificação de sintomas pelos pais, tais como: cansaço depois de mamar, choro constante, arritmias cardíacas e a possível cianose. O pediatra também poderá perceber a presença de sopro cardíaco, hipertensão arterial e frequência cardíaca alterada, encaminhando o bebê para a realização de exame.

Ressalta-se que a cardiopatia congênita pode se manifestar em diferentes fases da vida, desde o nascimento até a fase adulta, e que pode permanecer assintomática por muitos anos dificultando o diagnóstico precoce. Sendo assim, faz-se fundamental a realização de check-ups cardiológicos periódicos. 

Diagnóstico de cardiopatia congênita na gestação

Realizado de forma muito semelhante à ecografia, sem riscos para o feto e possibilitando a identificação da cardiopatia congênita com eficiência, a ecocardiografia fetal é a melhor maneira de realizar um diagnóstico precoce da condição e tomar medidas para que o parto seja realizado da forma mais segura possível para a criança e a mãe, prevenindo possíveis episódios de choque, parada cardíaca ou comprometimento neurológico do bebê. 

A ecocardiografia fetal  pode ocorrer a partir da 18ª semana de gestação. Todavia o tempo ideal para a realização do exame é entre a  24ª a 28ª semana de gravidez.

Apesar de existirem alguns fatores que possam indicar uma pré-disposição para a cardiopatia congênita, em muitos casos, ela pode ocorrer de maneira espontânea, o que reforça a recomendação que esse exame seja feito por todas as gestantes, mesmo que não exista uma suspeita prévia. 

A cardiopatia congênita pode apresentar maior probabilidade de ocorrer em gestações de mulheres com mais de 40 anos, que apresentem diabetes ou um histórico familiar de ocorrência da doença. Além disso o risco também é maior para gestantes que estejam sofrendo de infecções virais, como a rubéola, ou que possuam um diagnóstico de doenças autoimunes, como lúpus e dermatomiosite. A ingestão de anti-inflamatórios não esteroidais, anticonvulsivantes e lítio durante a gravidez também podem ser apontados como potencializadores de risco. 

Já os fatores que aumentam o risco do feto ter uma malformação cardíaca são: aumento da translucência nucal , que pode ser evidenciada na ecografia morfológica do 1 trimestre, taquicardia contínua ( aumento dos batimentos cardíacos) bradicardia contínua ( diminuição dos batimentos cardíacos) , e outras anomalias fetais fora do sistema cardíaco. 

Para entender melhor a importância do exame ecocardiografia fetal, assista ao vídeo abaixo que preparei para você!

Lembre-se que a cardiopatia congênita tem diversas possibilidades de tratamento, mas se torna potencialmente mais fácil de cuidar quando é diagnosticada o mais cedo possível!

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